O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retoma nesta segunda-feira (31) as negociações comerciais com os Estados Unidos em meio à preocupação de que as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump se tornem permanentes. O receio é baseado no histórico das sobretaxas sobre aço e alumínio, adotadas durante o primeiro mandato de Trump, em 2018, e que não foram revogadas posteriormente pelo governo de Joe Biden.
A nova rodada de conversas ocorre após uma ligação de cerca de 1h20 entre Lula e Trump, na qual os dois presidentes concordaram em retomar o diálogo comercial. Nesta segunda, o ministro Márcio Elias Rosa se reúne virtualmente com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.
O Brasil busca reduzir os impactos do chamado “tarifaço” e ampliar a lista de produtos brasileiros livres das sobretaxas. Algumas mercadorias podem enfrentar tarifas que chegam a 37,5%, considerando a combinação de diferentes alíquotas. O governo brasileiro também mantém a possibilidade de utilizar a Lei de Reciprocidade Econômica como instrumento de resposta.
Apesar da reabertura das negociações, integrantes do governo demonstram cautela quanto a resultados imediatos. A avaliação no Planalto é de que Trump dificilmente fará concessões significativas antes das eleições brasileiras, o que aumenta a preocupação com a manutenção das tarifas por um período prolongado.
O desafio para Brasília é, portanto, evitar que uma medida apresentada inicialmente como pressão comercial se transforme em uma barreira de longo prazo, com impactos sobre empresas brasileiras, exportações e a relação econômica entre os dois países.

