O crescimento da inflação oficial nos últimos dois meses, saindo dos 0,33% medidos em janeiro para 0,88% no mês de março, puxado principalmente pela alta dos combustíveis e dos alimentos, já causa impactos na visão da população brasileira a respeito dos rumos da economia brasileira. Foi o que revelou a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15).

O levantamento mostrou que a maioria da população possui uma visão negativa em relação ao momento atual da economia do país. Para 50% dos entrevistados, a economia brasileira piorou nos últimos 12 meses, e somente 21% acham que melhorou no mesmo período. Para 27%, a economia ficou do mesmo jeito durante este último ano.
A pesquisa também questionou especificamente os entrevistados sobre a percepção a respeito do aumento de preços dos alimentos nos mercados. Nesse recorte, houve um salto expressivo na quantidade de pessoas que afirmam ter observado aumento de preços de alimentos.

Na pesquisa anterior da Genial/Quaest, era de 59% o percentual de brasileiros que afirmava ter visto o aumento de preços dos alimentos. Essa número aumentou para 72% agora na pesquisa de abril, uma elevação de 13 pontos percentuais. Já a quantidade de pessoas que acha que os preços estão menores caiu de 16% em março para 8% em abril, e 18% entendem que os alimentos continuam no mesmo valor.

Esse salto no percentual de brasileiros que enxergam aumento de preços nos mercado está em linha com a alta do índice de inflação relacionado aos alimentos. Segundo o IPCA de março, divulgado na semana passada, os preços do grupo alimentação aceleraram 1,94% em março na comparação com fevereiro.

Também houve crescimento expressivo no percentual de pessoas que acreditam que houve perda do poder de compra do seu salário no período dos últimos 12 meses. A pesquisa Genial/Quaest revela que aumentou de 61% em fevereiro para 71% agora em abril o percentual dos que afirmam que o seu poder de compra diminuiu no último ano.

Na outra ponta, caiu de 14% para 11% o percentual de pessoas que dizem que o seu poder de compra subiu nos últimos 12 meses. Já os que afirmam que o seu poder de compra ficou igual caiu de 21% em março para 17% nesta pesquisa mais recente.
No recorte sobre a condição de conseguir um emprego atualmente na comparação com o período de um ano atrás, 53% afirmam que no momento está mais difícil ser empregado. Para 37%, está mais fácil arrumar um emprego agora do que há um ano, e outros 5% dizem estar igual a dificuldade.

A Genial/Quaest questionou ainda os entrevistados sobre a questão do endividamento da sociedade, tema que vem preocupando bastante o governo Lula. A pesquisa mostra que aumentou de 34% em março para 43% agora em abril o percentual de pessoas que afirmam ter poucas dívidas.
Outros 29% dos entrevistados dizem ter muitas dívidas, e 28% afirmam que não possuem qualquer endividamento. Na soma de quem tem muitas com quem tem poucas dívidas, haveria um percentual de 72% de brasileiros endividados.

Esse total se aproxima da informação divulgada recentemente pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), de que o endividamento das famílias brasileiras encerrou 2025 em patamares recordes. Pelo estudo da CNC, cerca de 78,9% das famílias relataram ter dívidas em dezembro, um aumento de 2,3 pontos percentuais em relação a 2024.

Por fim, o levantamento questionou os entrevistados se apoiariam um novo programa do governo federal para ajudar as famílias endividadas. Um total de 70% disse ser a favor de um programa nos moldes do Desenrola, que ajudou as pessoas a pagarem suas dívidas com desconto maior sobre os juros. Apenas 24% disseram ser contra um programa para redução das dívidas.

A Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores por meio de entrevistas pessoais, entre os dias 9 e 13 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-09285/2026.

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