O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (23/3) que o Irã quer “muito fazer um acordo” e que se reunirá “provavelmente por telefone” hoje com representantes iranianos. “Nós também gostaríamos de fazer um acordo”, disse, a repórteres, antes de embarcar em seu avião presidencial, o Air Force One, em Palm Beach, na Flórida.
“Temos uma chance muito séria de um acordo”, disse Trump, acrescentando que “isso não garante nada; não estou garantindo nada”.
O presidente dos EUA também afirmou que os dois países estão discutindo 15 pontos para encerrar a guerra, com o Irã renunciando às armas nucleares como os pontos “número um, dois e três”.
Trump sugeriu que o Irã poderia concordar em abandonar os planos para um programa de armas nucleares em troca da paz.
“Amanhã de manhã, em algum horário deles, esperávamos explodir suas maiores usinas de geração de energia elétrica, que custaram mais de US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) para construir”, afirmou. “Era uma usina muito boa, não havia falta de dinheiro. Um tiro e ela se vai. Desaba. Por que eles iriam querer isso?”.
Na noite de sábado (21/3), o presidente americano havia dito que, se o Estreito de Ormuz não fosse aberto “sem ameaças” em 48 horas, os EUA “aniquilariam” as usinas de energia iranianas. O Irã havia prometido reagir a qualquer eventual ataque americano com escalada de violência.
Segundo Trump, após a ameaça, autoridades do Irã ligaram para ele querendo fazer um acordo. Por isso, ele recurou, suspendendo por cinco dias qualquer ataque a usinas iranianas.
Mas uma conta do X atribuída a Mohammad-Bagher Ghalibaf publicou que nenhuma negociação ocorreu com os EUA.
A publicação acrescenta que “notícias falsas” foram usadas para “manipular” os mercados de petróleo e que o povo iraniano “exige punição completa e severa dos agressores”.
Mais cedo, na rede Truth Social, Trump já havia afirmado que os EUA e o Irã tiveram “conversas muito boas e produtivas” nos últimos dois dias sobre a “resolução completa e total das nossas hostilidades” no Oriente Médio.
No entanto, o Ministério das Relações Exteriores do Irã emitiu um comunicado no qual nega ter tido qualquer conversa com os EUA
“Negamos o que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse sobre as negociações em curso entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã”, disse a nota do governo de Teerã.
“A República Islâmica do Irã mantém sua posição de rejeitar qualquer tipo de negociação antes de alcançar os objetivos do Irã com a guerra”, afirma a nota, segundo a CBS News.
Horas antes, a agência de notícias iraniana Fars, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), citou uma fonte iraniana não identificada dizendo que “não há contato direto ou indireto com Trump”. A fonte disse que, após “ouvir que nossos alvos incluiriam todas as usinas de energia do Oriente Médio, ele [Trump] recuou”.
“Tenho o prazer de anunciar que os Estados Unidos da América e o país do Irã tiveram ao longo dos últimos dois dias conversas muito boas e produtivas a respeito de uma resolução completa e total das nossas hostilidades no Oriente Médio”, escreveu Trump na nova mensagem na segunda-feira.
“Com base no teor e tom dessas conversas profundas, detalhadas e construtivas que continuarão ao longo da semana, eu instruí o departamento de Guerra a adiar todo e qualquer ataque militar contra usinas de energia do Irã e infraestrutura de energia por um período de cinco dias, sujeito ao sucesso das reuniões e discussões em andamento. Obrigado pela atenção para esse assunto! Presidente Donald J. Trump.”

