Foto : Arisson Marinho / AFP

O Bahia global que cai na esquina

Por Joilson Bergher.

O torcedor do Esporte Clube Bahia foi convencido de que estava entrando numa nova era. Era a modernidade chegando de jatinho. Afinal, agora o clube pertence ao poderoso City Football Group, essa multinacional do futebol que administra clubes pelo planeta como quem administra franquia de shopping.

Tudo muito bonito no PowerPoint.

Na prática, porém, o Bahia conseguiu a façanha de sair da Copa Libertadores da América antes mesmo de a competição começar de verdade. E saiu pelas mãos do quase desconhecido O’Higgins, um time cujo nome boa parte da torcida brasileira só aprende a pronunciar depois da eliminação.

É quase poético.

O Bahia virou uma espécie de startup do futebol: cheio de discurso, cheio de planejamento, cheio de promessa… e com um produto final que ainda não passou da fase beta.

Mas calma. Há sempre o porto seguro do glorioso Campeonato Baiano, aquele torneio onde o Bahia pode posar de potência continental enquanto enfrenta adversários que muitas vezes têm orçamento menor que o salário de um lateral reserva.

E assim segue o projeto global.

O Bahia agora faz parte de uma constelação internacional de clubes. Tem metodologia europeia, análise de dados, gestão empresarial, planejamento estratégico e provavelmente até planilha para medir o vento na Arena Fonte Nova.

Só esqueceram de um detalhe microscópico:

Montar um time que jogue bola.

Porque no futebol, às vezes, acontece essa crueldade: você pode ter bilhões, consultores internacionais e discursos futuristas…mas quando a bola rola, quem decide é um time chamado O’Higgins.

E aí o projeto global vira apenas isso: um clube mundial… eliminado na prévia.

Joilson Bergher.

 “Este é um texto de opinião. O autor é responsável pelas informações e opiniões expressas.” 

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