O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou nesta quinta-feira (5) uma rodada de conversas com integrantes do governo e economistas para discutir os rumos da economia brasileira no quarto mandato, que começa em janeiro de 2027.

A primeira reunião reúne nomes como o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Também estão entre os convidados o ex-ministro Guido Mantega e outros integrantes da equipe econômica e do governo.

O objetivo é discutir alternativas para a condução da política econômica, especialmente diante dos desafios relacionados ao crescimento da dívida pública, ao controle das despesas e à manutenção dos programas sociais.

Dívida pública e equilíbrio fiscal estão entre as prioridades

A discussão ocorre em um cenário de pressão sobre as contas públicas e preocupação de investidores com a trajetória da dívida brasileira.

Segundo informações divulgadas pelo BNews, a dívida pública já ultrapassa 82% do Produto Interno Bruto (PIB). O governo busca alternativas para conciliar a manutenção de políticas sociais com medidas que contribuam para a sustentabilidade das contas públicas.

O ministro Dario Durigan tem defendido a discussão de ajustes fiscais de médio e longo prazo, com medidas graduais e consistentes. A intenção é construir propostas que permitam controlar o crescimento das despesas sem comprometer os compromissos assumidos pelo governo.

Lula pretende ouvir economistas de diferentes correntes

A reunião desta quinta-feira faz parte de uma agenda mais ampla de consultas. Nas próximas semanas, Lula pretende ouvir economistas de diferentes linhas de pensamento, além de representantes do setor empresarial e financeiro.

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, a proposta de ampliar o diálogo partiu do próprio ministro Dario Durigan. A iniciativa busca reunir diagnósticos e sugestões antes da definição das medidas econômicas para o próximo governo.

Também estão previstas conversas com representantes de bancos, indústria, construção civil e outros setores produtivos.

Papel do Banco Central e política de juros

A participação de Gabriel Galípolo ocorre em meio às discussões sobre política monetária, inflação e autonomia do Banco Central.

A taxa básica de juros, a Selic, e seus efeitos sobre o crédito, os investimentos e a dívida pública estão entre os temas que influenciam o debate econômico nacional.

O Banco Central possui autonomia institucional para conduzir a política monetária, com decisões tomadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A definição da taxa de juros considera, entre outros fatores, as perspectivas para a inflação.

Decisões devem ser anunciadas após novas consultas

O governo ainda não apresentou um pacote definitivo de medidas para o próximo mandato. Segundo o ministro Dario Durigan, as discussões devem continuar e novas propostas serão avaliadas após o retorno de Lula de compromissos internacionais, previsto para a segunda quinzena de novembro.

A expectativa é que as conversas ajudem a estabelecer as prioridades econômicas da próxima gestão, com atenção ao equilíbrio fiscal, à inflação, aos investimentos e à preservação das políticas sociais.

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