A Meta e o Google foram condenados em uma ação nos EUA por vício em redes sociais em março. Ainda que as partes possam recorrer, o veredicto abre precedentes e aponta para problemas de design que fazem as plataformas “sequestrarem a atenção” das pessoas.
A ação alegava que uma adolescente ficou viciada no Instagram e no YouTube. O processo na Califórnia dizia que a garota, que não teve a identidade revelada, tinha privação de sono, ideação suicida e distorção de imagem.
Os advogados da garota convenceram o júri alegando que o design das plataformas era viciante e as empresas sabiam disso. Por meio de correspondências internas vazadas, funcionários das duas empresas diziam que os aplicativos usavam técnicas para “segurar as pessoas”.
As empresas negam que seus produtos causem vício. Nas considerações iniciais do processo, o YouTube disse que as pessoas ficavam no app pela qualidade dos conteúdos; já o Instagram chegou a dizer que as pessoas faziam “uso problemático”.
As principais técnicas para sequestro de atenção usadas eram:
– Autoplay: a reprodução contínua de vídeos. Dessa forma, a plataforma não espera você decidir, já oferece algo na sequência
– Scroll infinito: a rolagem infinita elimina “pontos de parada naturais”, levando a um consumo compulsivo
– Notificações: alertas têm como objetivo trazer a pessoa para o aplicativo, servindo tanto como recompensa (por alguma interação) quanto como gancho do tipo “olha o que você está perdendo”.
O juiz estabeleceu multa de US$ 3 milhões (cerca de R$ 15,6 milhões), mas a condenação pode gerar ações em cadeia. O valor da compensação é baixo para as empresas, porém os argumentos aceitos pelo júri têm potencial de repercutir em dezenas de ações semelhantes, colocando pressão para que as empresas mudem o funcionamento dos apps.

