Foto: Sesab

Por Joilson Bergher.

A entrevista concedida por Ana Paula Camargo, Diretora Geral do Hospital Geral Prado Valadares, hoje ao radialista Brito Ferreira, na FM Contas de Jequié, recoloca no centro do debate público a complexidade histórica da saúde regional.

Jequié, há décadas, cumpre o papel de polo, absorvendo demandas de dezenas de municípios do Médio Rio de Contas e de outras regiões, o que transformou o Prado Valadares em uma referência indispensável, mas também sobrecarregada. Não se trata apenas de um hospital: trata-se de uma estrutura com múltiplas especialidades, que diariamente lida com situações-limite, onde a lógica é salvar vidas em escala regional, e não apenas municipal.

Nesse sentido, Ana Paula foi precisa ao destacar a responsabilidade do Estado da Bahia em manter e qualificar uma unidade dessa envergadura. A fala dela dialoga com uma política mais ampla do governo Jerônimo Rodrigues, que não enxerga a saúde de forma isolada, mas como uma rede integrada. A construção de novos hospitais regionais, como em Maracás, e a ampliação de unidades estratégicas, como o Hospital Geral de Vitória da Conquista, mostram que há um reconhecimento concreto de que os grandes hospitais já não dão conta sozinhos da demanda acumulada ao longo de anos de crescimento populacional e de déficits históricos na atenção básica e média complexidade.

O radialista Brito Ferreira, por sua vez, trouxe uma provocação fundamental ao debate: até que ponto é justo que todo esse peso continue recaindo exclusivamente sobre o Estado? Ao lembrar que o Prado Valadares não comporta mais toda a rede de atendimentos do entorno, ele chama a atenção para a responsabilidade do município de Jequié. Se o discurso oficial é o de uma cidade “pulsante” e “pujante”, é inevitável perguntar por que os gargalos da saúde persistem? Quando a atenção básica falha, quando a média complexidade não é fortalecida, o resultado é previsível: a pressão explode no hospital regional e, mais uma vez, “cai no colo do Estado”.

Como conclusão, a entrevista deixa uma mensagem clara: o caminho da excelência na saúde, como apontou Ana Paula, não se constrói com discursos isolados nem com transferência de responsabilidades. Ele exige cooperação real entre Estado e município, planejamento regional e investimentos contínuos em toda a rede, da base ao topo. O governo do Estado tem dado respostas estruturais, ampliando e interiorizando hospitais, mas Jequié precisa encarar o debate de frente e assumir seu papel.

A saúde pública não comporta vaidades políticas: ela exige coragem para reconhecer limites, enfrentar gargalos e construir soluções coletivas, à altura da importância que a cidade e a região de fato têm.

Joilson Bergher/Usuário do Sistema SUS/Brasil e Cidadão de Jequié.

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